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Os três aminoácidos
reagem com o hipoclorito de sódio, neutralizando
o comportamento agressivo do mesmo nos tecidos
sadios e aumentando a velocidade da remoção
da cárie. O kit também é
constituído por um conjunto de curetas
sem corte especialmente desenhadas para a remoção
exclusiva da dentina infectada. O único
inconveniente do Carisolv era seu elevado
custo, o que impedia sua utilização
em larga escala em nosso país.
Em 2003 foi desenvolvido
pela Profª Drª Sandra Kalil Bussadori,
um gel a base de papaína, cloramina e azul
de toluidina, denominado, Papacárie®,
o qual alia as propriedades de seletividade e
eficácia na remoção da cárie,
com a máxima preservação
dos tecidos dentários sadios, com o baixo
custo.
A papaína
é proveniente do látex das folhas
e frutos do mamão verde adulto, Carica
papaya, cultivado nos países tropicais
como: Índia, Ceilão, África
do Sul e Hawai.
A papaína
é uma enzima similar a pepsina humana,
com utilização nas indústrias
alimentícias, farmacêutica, cosmética,
entre outras (MADRID, 1998).
A extração
do látex do mamão se dá por
incisões no fruto, havendo a liberação
de um exsudato fluido límpido, aquoso,
sensível ao oxigênio do ar e ao calor.
Esse látex, depois de seco, pulverizado,
peneirado e acondicionado adequadamente em frascos
de polietileno, deve ser mantido ao abrigo da
luz.
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Com relação
a outras enzimas naturais, a papaína
possui algumas vantagens como:
Qualidade
e atividade enzimática;
Estabilidade
em condições desfavoráveis
de temperatura, umidade e pressão
atmosférica;
Encontra-se
em alta concentração no látex
extraído da casca do mamão;
Possui
um elevado valor comercial devido à
diversidade de utilização
que apresenta.
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GUZMAN e GUZMAN,
em 1953, relataram experiências clínicas
com 20 doentes portadores de lesões de
pele por queimaduras, observando que a ação
enzimática da papaína foi excelente
nas áreas com exsudatos, processos purulentos
e necróticos.
Em 1981, UDOD e STOROJUK
utilizaram solução de papaína
0,2% em doentes com feridas cutâneas purulentas
em diversas regiões do corpo. A papaína
facilitou a limpeza dos tecidos necróticos
e secreções, diminuindo o período
de reparação tecidual e não
prejudicando os tecidos sãos ao redor da
lesão.
Segundo FLINDST (1983),
a papaína age apenas no tecido lesado devido
à ausência de uma antiprotease plasmática,
a a1-antitripsina, que impede sua ação
proteolítica em tecidos considerados normais.
MASINI et al., (1986)
estudaram vinte pacientes com lesões de
diversas origens, e dez ratos, com lesões
provocadas cirurgicamente de modo a acompanhar
o tipo de cicatrização e seu tempo
de evolução cirúrgicas ou
acidentais. O material empregado para o tratamento,
foi uma associação de papaína
e sacarose. O resultado foi considerado ótimo
uma vez que as lesões, em média,
eram de 2,5cm, e o tempo de cicatrização
de, em média, 3,5 dias.
SILVA et al., (2003)
avaliaram a citotoxicidade in vitro do Papacárie,
realizando testes a curto e longo prazo em cultura
de fibroblastos nas diferentes concentrações
(2%. 4%, 6%, 8% e 10%) de papaína e concluíram
que, o mesmo, não demonstrou ser citotóxico
em cultura de fibroblastos.
É importante
salientar as indicações do gel Papacárie®,
o qual pode ser utilizado com sucesso em pacientes
com necessidades especiais, odontopediatria, adultos
fóbicos, cáries muito próximas
à polpa, ou seja, em qualquer tipo de lesão
de cárie, sendo uma das suas principais
utilizações, sua utilização
no âmbito da saúde pública,
devido ao seu baixo custo. Além disso,
não há qualquer risco se o gel entrar
em contato com tecidos moles bucais, pois o mesmo
não é tóxico, como comprovado
nos inúmeros testes realizados.
TÉCNICA
PARA REMOÇÃO QUÍMICA E MECÂNICA
DA CÁRIE
UTILIZANDO O PAPACÁRIE
Isolamento relativo
do campo operatório, mesmo em cavidades
médias ou profundas, não há
necessidade de anestesia local.
Aplicação
do gel na cavidade, deixando-o agir por aproximadamente
30 segundos em cáries mais agudas e de
40 a 60 segundos em cáries crônicas
Iniciamos a remoção
do tecido cariado com curetas de dentina sem corte,
ou com a porção contrária
da cureta, fazendo uma raspagem do tecido degradado
pelo gel.
Havendo necessidade
- o que geralmente ocorre - reaplicamos o gel.
Quando não houver qualquer sinal de tecido
amolecido, e não saírem mais raspas
de dentina é hora de parar. O aspecto vítreo
da cavidade representa a remoção
de todo tecido cariado.
Após a remoção
de todo o tecido cariado, podemos realizar a restauração
com qualquer tipo de material restaurador.
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Lesão de cárie
aguda
(foto inicial)
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Remoção
do tecido cariado
(note posição contrária
da cureta)
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Aspecto vítreo
da cavidade
após remoção do tecido
cariado
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CONCLUSÃO
O Papacárie®
é um produto tão eficiente quanto
o Carisolv na remoção de tecido
cariado. Alia praticidade, facilidade de utilização
e baixo custo, e não requer o uso de anestesia
local. Sendo, portanto, uma ótima alternativa
para a remoção da cárie dentária.
LUCIANA RAULINO DA SILVA
Especialista em Odontopediatria pelo Sind. Odontologistas
do Estado de São Paulo - SOESP
Estagiária da Especialização
em Odontopediatria do SOESP
Pesquisadora do Centro de Pesquisas da UNIMES/Santos
SANDRA KALIL BUSSADORI
Mestre em Materiais Dentários - FOUSP
Doutora em Odontopediatria - FOUSP
Profª Coordenadora dos cursos de Especialização
e Aperfeiçoamento em Odontopediatria -
SOESP
Profª Titular da Disciplina de Materiais
Odontológicos da UNIMES/Santos
E-mail para correspondência: lu_raulino@uol.com.br
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